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O EREMITA.

BALLADA.

PEDOSO

IEDOSO Eremita, acode,
Neste deserto me guia;
Acolá benigna tocha
O valle umbroso allumia.

« Ando aqui perdido, e vago
Com passos frouxos e lentos;
Cresce o deserto a medida
Que crescem meus movimentos. >>

a Pára, ó filho, (diz-lhe o Er’mita)
Não te arrisques em taes trevas;
Co' aquella luz enganosa
Ao precipicio te levas.

« Aqui para o desprovido
Tens a minha porta aberta;
Se te off'reço porção parca,
A boa vontade é certa.

Tomo IV.

13

« Then turn to-night, and freely share

Whate'er my cell bestows; My rushy couch, and frugal fare,

My blessing and repose.

« No flocks that range the valley free

To slaughter I condemn: Taught by that pow'r that pities me,

I learn to pity them. .

« But from the mountain's grassy side,

A guiltless seast I bring; A scrip with herbs and fruits supply'd,

And water from the spring.

« Then, pilgrim, turn; thy cares forego

All earth-born cares are wrong: Man wants but little here below,

Nor wants that little long. »

Soft as the dew from heay'n descends,

His gentle accents fell:
The modest stranger lowly bends,

And follows to the cell.

Far in a wilderness obscure

The lonely mansion lay;
A refuge to the neighb'ring poor

And strangers -led astray.

« Vem á noite, e participa
Do que encerra a minha cella;
Tosco leito, frugal pasto,
Paz, e mil bençãos com ella.

« Poupo aos rebanhos a morte,
Respeito-lhe a liberdade:
Aprendi a condoer-me
Com quem tem de mim piedade.

« Faço um banquete innocente
Com hervas que o monte cria,
E fructos, de que encho um sacco:
O vinho é da fonte fria.

« Põe teus cuidados de parte;
Mortal, e triste, é ser louco:
Pouco é preciso na terra,
E pouco tempo esse pouco. »

Seus accentos, qual orvalho
Que do Ceo desce, assim vinham:
Grato s'inclina o Estrangeiro,
E a cella os dois se encaminham.

Este modesto retiro
Era uma chossa abrigada,
Que prestava asylo aos pobres,
Aos peregrinos pousada.

No stores beneath its humble thatch

Requir'd a master's care;
The wicket, op'ning with a latch,

Receiv'd the harmless pair.

And now, when busy crowds retire

To take their ev'ning rest,
The hermit trimm'd his little fire,

Aud cheer'd his pensive guest :

And spread his vegetable store,

And gayly prest, and smild: And skill'd in legendary lore,

The ling'ring hours beguild.

Around in sympathetick mirth

Its tricks the kitten tries;
The cricket chirrups in the hearth;

The crackling faggot flies.

But nothing could a charm impart

To sooth the stranger's woe; For grief was heavy at his heart,

And tears began to flow.

His rising cares the hermit spy'd,

With answering care opprest: « And whence, unhappy youth, » he cry'd,

« The sorrows of thy breast?

Pobre choupaba não cobre
Thesouros, nem quer cautela ;
Aos dois, que a porta se chegam,
Cede simples taramela.

Nas horas que outros consomem
Em somno, ou luxo excessivo,
O Er’mita agazalhava
O hospede pensativo:

Punha sobre a mesa a fructa,
Alegre, preste, e sorrindo:
Perito em contos piedosos,
Ía as horas illudindo.

Com sympathica alegria
O gato á parte brincava;
Rompia o silencio o grillo;
A lenha accesa estalava.

Nada d'isto suavisava
Do Peregrino a tristeza;
O pezar o vence, e solta
As lagrimas de repreza.

O Er'mita attento observa
Quanto soffre o desgraçado:
« De que vem, (lhe diz) mancebo,
Tanta angustia, tal cuidado ?

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